O que você sente, o que eu sinto e o que nós sentimos? O que nos une afinal?
Somos uma caixinha de surpresas. Não sabemos exatamente o que sentimos, como sentimos e quando sentimos. Apenas nos afetamos e sentimos mais do que gostaríamos em alguns momentos.
Nos percebemos sozinhos e um tanto isolados nestes emaranhados de sentidos e afetos. Ficamos muitas vezes isolados, imaginando que o outro está em melhor condição do que nós.
E quando não for exatamente assim?
Quando uma pergunta aparentemente comum ou simples, demonstra ou aponta que apesar de distintos e bastante únicos, podemos ter em comum um ponto de convergência nestes afetos tão nossos?
Se a pergunta puder ser amplificada e os afetos ditos, podemos encontrar um vazio semelhante no colega, na família, nos discursos e na vida.
Essa ausência de sentido, de controle e de poder é a nossa sinergia. E nossa estranheza também.
Cada qual com o seu cada um, diziam os poetas e músicos.
Cada um deve fazer o que puder, o que conseguir, o que desejar com o seu buraco e com sua ausência.
Cada um deve enlaçar à sua maneira essa falta e esse incompleto.
Não estou falando essencialmente de uma cultura brasileira.
Estou falando da condição humana de existência.
O bicho humano padece da linguagem e é também pela linguagem que esse mesmo bicho homem poderá construir novos significados, novas escolhas e assim, quem sabe, poderá desejar.
Poderá desejar, seja fazendo uso do dito, do não dito, do que não pode ou não consegue nomear e sobretudo pela escolha de uma psicanálise para chamar de seu percurso de mudança, elaboração, para evitar repetir situações desagradáveis e no fim como caminho de construção de uma vida para além da sobrevivência.